top of page

Encontros semanais

  • Foto do escritor: fergs
    fergs
  • há 8 horas
  • 4 min de leitura

Este encontro dos trabalhadores é muito útil para eles mesmos, tanto quanto para as nossas atividades. Não se aprofundando pelo estudo, na realidade e mecânica das leis, ficam na periferia do fenômeno mediúnico, repetindo atos sem conhecer-lhes a função ou a estrutura, desarmados para ocorrências diferentes ou eventualidades inesperadas. Temo-los estimulado à conversação, porquanto, ainda sob a inspiração dos seus protetores, logram penetrar, a pouco e pouco, no funcionamento das técnicas de que nos utilizamos, bem como na razão que nos leva a aplicá-las, adquirindo consciência de si mesmos e da finalidade superior da vida. [1]

  

As referências à escassez do tempo para o convívio e as confraternizações são constantes entre os adeptos da Doutrina Espírita, comumente entre os trabalhadores das nossas células, dando a dimensão do quanto isso afeta as relações interpessoais, uma vez que os encontros para troca de ideias, aproximação e convivência fraternal da grei perdem espaço e por vezes não ocorrem, devido à sobrecarga de atividades geradas por vários fatores incluindo a gestão dos centros e do movimento espírita, cuja análise não é o objetivo desse texto, bem como as demais atividades propostas pela “sociedade do cansaço”.

Para refletirmos sobre essa questão, tomamos um texto que trata de uma dessas reuniões em uma instituição assistencial espiritualista, onde Manoel Philomeno de Miranda, sob a orientação do Dr. Bezerra de Menezes, acompanha o atendimento a uma família em severa provação diante da enfermidade mental e da decorrente obsessão de um dos seus membros. Na mencionada reunião são recolhidas e compartilhadas lições importantes das quais se extraem o valor das fraternizações simples e a contribuição das conversações saudáveis entre os trabalhadores, atribuindo-lhes o caráter de momentos de aprendizados e união fraternal.  

A lição aponta para o fato de que, mesmo havendo em nossos núcleos de trabalho o estudo doutrinário, esses momentos de leveza e conversação após as atividades mediúnicas  facultam  uma integração de conhecimentos, e os comentários tecidos com equilíbrio e com o objetivo de compreender o fenômeno, as origens das dores, as implicações e as terapêuticas aplicadas pelos Espíritos que coordenam os atendimentos despertam, em uns e outros, o desejo de saber mais, assim como as perquirições sobre os próprios atos diante do testemunho das dores alheias.

Nas palavras da irmã Emerenciana, a amiga espiritual coordenadora daquele grupo, encontramos uma valiosa constatação a ser aproveitada para os nossos diálogos após encontros mediúnicos. Diz a benfeitora: “Os mais esclarecidos opinam e sugerem, interrogam e discutem, abrindo espaços para o raciocínio que desperta e o interesse de saber que se lhes instala. É um primeiro passo para o estudo que oferece o conhecimento e a libertação da ignorância. “ [2] Eis a solidariedade posta no terreno da aquisição de conhecimento e como nos tornamos facilitadores do aprendizado uns dos outros.

Outro efeito apontado como decorrência desses colóquios é o fortalecimento de vínculos entre os seus integrantes, bem como a absorção de energias saudáveis trazidas pela equipe espiritual, resultando no sentimento de amor pela casa e pelo trabalho realizado.

Vemos, então, a necessidade de velarmos por esses instantes de aproximação, fazendo-os assumirem importância para o grupo, fortalecendo a vontade de permanecerem juntos e de buscarem alimentar o propósito que torna uma reunião séria, aquela na qual os laços de simpatia e fraternidade sejam o feixe de varas formado pela união dos que se dispõem a produzir “o bem para todos.”[3]

Allan Kardec, alinhando considerações sobre as sociedades espíritas, fala que “um laço forte capaz de designar um grupo como uma associação somente é possível entre aqueles que percebem o objetivo moral desse grupamento, o compreendem e o aplicam a si mesmos”.[4] Diante dessa afirmativa fica mais acentuada a pertinência desses instantes informais, de simples prosas aptas a sedimentar relações mais próximas e afetivas.

Não se está aqui propondo a invasão da privacidade, nem a intimidade nociva que crie comprometimentos indesejáveis, mas sim elos que facilitem os comentários instrutivos, as análises adequadas dos fatos e das mensagens como forma de estabelecer pouco a pouco a homogeneidade de sentimentos tão necessária para os bons resultados no trabalho mediúnico.

Por derradeiro consideremos também a questão do formalismo que muitas vezes se estabelece nas relações entre os companheiros espíritas, quando se repetem regras e fórmulas, sem atentar-se para o fundo daquilo que dita as ações. Tem-se anotado o esfriamento nos compromissos, ou até mesmo o rompimento desse vínculo que necessita de cultivo permanente. Há sintomas a serem anotados e muito bem descritos por Manoel Philomeno de Miranda:

Noutras sociedades, tão logo terminam as reuniões, todos partem, como se desejassem fugir do recinto, e correm para programas antagônicos, no fundo e na forma, ao de que haviam participado, encharcando-se deles antes de dormir. Em suma: não se comentam as ocorrências ou as instruções, as conferências ou os estudos, os debates nem as sugestões, não se fixando, como efeito, o que deveria constituir um aprendizado valioso. Quase todos têm pressa de ir-se, alguns porque estabelecem compromissos posteriores, nos quais anulam o que granjearam na reunião, e outros, por motivo nenhum, simplesmente porque não têm assunto a comentar, ou já sabem a respeito de tudo, ou não se interessam por sabê-lo. [5]


Diante desses apontamentos registremos o compromisso de solidariedade que temos uns para com os outros e valorizemos esses momentos ricos de bênçãos, que ocorrem na simplicidade de um centro espírita, pois ao nos reunirmos para tal fim, estabelecemos sintonia com o Alto para que se concretize a promessa do Divino Pastor: “pois onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou no meio deles.”[6]


Referências:

[1] FRANCO, Divaldo Pereira. Espírito Manoel Philomeno de Miranda. Loucura e obsessão FEB Publisher. Edição do Kindle. “Confronto de Forças”.

[2] Idem nota 23

[3] KARDEC, Allan. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. O Livro dos Médiuns. FEB. Editora Cap. XXIX. Rivalidade entre as Sociedades.

[4] KARDEC, Allan. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. O Livro dos Médiuns. FEB Editora. Item 334

[5] Idem nota 24

[6] DIAS, Haroldo Dutra. O Novo Testamento. FEB Edição do Kindle. Mateus 18:20

Posts Em Destaque
Posts Recentes
Arquivo
Procurar por tags
Siga
  • Facebook Basic Square
  • Twitter Basic Square
  • Google+ Basic Square

Fergs, um século de luz.

Correspondências:

Caixa Postal 4715

Floresta - Porto Alegre, RS

CEP 90220-975

Redes

Travessa Azevedo, 88 - Bairro Floresta - Porto Alegre, RS Fone: (51) 3224.1493

© 2026 Assessoria de Comunicação da Federação Espírita do Rio Grande do Sul

bottom of page