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Quando o Bem é audacioso

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  • há 3 horas
  • 3 min de leitura


Lizarbe Lisboa Mesquita Gomes

Trabalhadora da Sociedade Espírita Círculo da Luz/ Osório-RS

 

Embora sejamos livres para fazer nossas escolhas, definir comportamentos e condutas que consideramos mais adequados, é sempre oportuno e necessário analisarmos cuidadosamente como estamos empregando nossas energias. Devemos também refletir sobre como investimos nosso tempo e no que estamos direcionando nossas emoções. É importante considerar que as prioridades que elegemos são como nossos tesouros, conforme ensinava o Mestre Jesus: “Pois, onde está o teu tesouro, ali estará também o teu coração”1, Mateus 6:21.

Referia-se ele a tudo aquilo que cativa nosso interesse, atenção, a tudo aquilo a que nos apegamos, sejam pessoas, lugares, atividades, emoções, objetivos, sentimentos, posses materiais, enfim, a tudo aquilo que costumamos dar guarida em nosso mundo íntimo. Porém, nem sempre observamos com atenção se aquilo que tanto consome nosso tempo, muitas vezes exigindo nossa dedicação extrema, está ou não servindo ao nosso progresso moral e intelectual ou se está tão somente nos distraindo ou, mais ainda, gerando nossa escravização mental.

Ao longo dos séculos, nos mais variados pontos do planeta, os Instrutores Espirituais, em sua tarefa educativa, constantemente vêm exemplificar e ensinar aos homens o quanto a prática do bem é o único meio capaz de nos conduzir à evolução individual e coletiva, o quanto ela é necessária para nos libertarmos definitivamente de atitudes equivocadas e assim, avançarmos para situação melhor.

O bem é libertador, afirmam eles com segurança, e feliz quem consegue internalizar esta orientação e expressá-la em atos, fazendo com que a prática constante do bem ilumine sua existência e se converta em luz para os demais!

Todavia, é frequente nos depararmos com queixas de muitos que afirmam o quanto a presença do mal, em muitas situações, ainda é dominante na sociedade.

Essa impressão que nos aflige é de todas as épocas, por isso Kardec questionou às Inteligências Superiores na questão 932 de O Livro dos Espíritos2:

Por que, no mundo, tão amiúde, a influência dos maus sobrepuja a dos bons? “Por fraqueza destes. Os maus são intrigantes e audaciosos, os bons são tímidos. Quando estes o quiserem, preponderarão.”


Indescritível é a sensação que sobrevem toda vez que as coletividades, de forma resoluta, fazem o bem prevalecer sobre o mal! Isto acontece quando os indivíduos decidem agir com coragem em defesa dos valores eternos, em defesa da verdade, da Justiça e da Paz, em favor da vitória do bem. Exige esforço e perseverança, contudo, é sempre compensador.

Em uma mensagem que se encontra na Instrução dos Espíritos, capítulo 15 de O Evangelho Segundo o Espiritismo, o apóstolo Paulo afirma: “Para fazer-se o bem, mister sempre se torna a ação da vontade; para se não praticar o mal, basta as mais das vezes a inércia e a despreocupação”3.

O triunfo do bem depende de nossa decisão firme e sermos persistentes em sua prática será sempre o nosso mais alto dever. Assim procederam aqueles que viveram em épocas recuadas e nos legaram obras de amor e benemerência que resistiram ao tempo e prosseguiram servindo à sociedade. Certamente o fizeram vencendo incompreensões e empecilhos de variada ordem, porém, com coragem e determinação, não desistiram ante as investidas do mal que é “intrigante e audacioso”. Perseveraram na promoção do bem e deixam o mesmo convite a cada um de nós. O que nos detém? Por que, em muitas situações, ainda nos mantemos na inércia e na indiferença que apenas fortalecem o já identificado predomínio da influência do mal sobre o bem?

Não nos deixemos intimidar e nem desanimar quando sombras ameaçadoras pareçam triunfar! Mais do que nunca, espera-se de cada um vontade firme na prática do bem.

Desta forma, permanece a certeza de que devemos investir nossos tesouros em ações que efetivamente promovam o bem geral, assim como recomenda o Espírito Cheverus, em O evangelho segundo o espiritismo:

Coloca tuas riquezas sobre uma base que nunca lhes faltará e que te trará grandes lucros: a das boas obras. A riqueza da inteligência deves utilizá-la como a do ouro. Derrama em torno de ti os tesouros da instrução; derrama sobre teus irmãos os tesouros do teu amor e eles frutificarão. – Cheverus. (Bordeaux, 1861.)4

 

Referências:

1 BÍBLIA SAGRADA. O Novo Testamento. Tradução de Haroldo Dutra Dias. Brasília, DF: FEB, 2013.

2 KARDEC, Allan. O livro dos espíritos: filosofia espiritualista. Tradução de Guillon Ribeiro. – 93. ed. 8. imp. (Edição Histórica) – Brasília: FEB, 2019

3 KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. da 3. ed. francesa, revista, corrigida e modificada pelo autor em 1866. – 131. ed. – 13. ed. – Brasília: FEB, 2019.

4 KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. da 3. ed. francesa, revista, corrigida e modificada pelo autor em 1866. – 131. ed. – 13. ed. – Brasília: FEB, 2019.

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