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E se fosse você?

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    fergs
  • há 1 dia
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[...] Tal porta fascinante é a mediunidade socorrista de que você se encontra investido na tessitura física, ao alcance de um pouco de disciplina e abnegação. Examinando o quanto você gostaria de receber auxílio se ali estivesse, pense nos que lá estão e não demore em discussões inócuas ou em desculpismo injustificável.

[...] Corra ao socorro deles, os nossos companheiros na dor, iludidos em si mesmos, e abra-lhes a porta da luz em oportunidade consoladora. Mergulhe o pensamento nos exórdios do amor do cristo e mesmo sofrendo, atenda estes que sofrem mais.

[...]Não lhes atrase o socorro, nem demore sua doação. Possivelmente você já esteve ali antes, talvez seja necessário estagiar por lá...[...][1]

 

O dia fora cansativo diante das exigências dos clientes da banca de Advogados da qual Mara Rúbia fazia parte, e quando a última conversa se encerrou, ela olhou pela janela do escritório, espreguiçou-se e apanhou o celular, dando um pulo na cadeira.

– Deus do Céu! O que eu faço? Estou mais uma vez atrasada – balbuciou, mergulhando a cabeça entre as mãos, sentindo o coração apressar o compasso e experimentando dificuldade de respirar, sintoma ao qual estava habituada, quando a ansiedade se apresentava diante de uma situação que fugisse ao controle da sua racionalidade.

Respirou, profundamente, no exercício aprendido com a terapeuta e foi repetindo para si mesma: - está tudo bem, acalma-te, tudo vai dar certo. Tão logo percebeu que a arritmia foi sendo controlada e o compasso respiratório lhe propiciava um pouco de conforto e tranquilidade, segurou a bolsa e correu para o elevador, enquanto digitava o número da cuidadora de Bernardo, seu filho de 9 anos.

– Atende, atende, por misericórdia – pensava, enquanto aguardava na fila para descida à garagem do prédio.

– Oi Mara, eu sei que estás na correria como sempre, mas tranquiliza-te, eu já estou aqui. O transporte escolar deixou o Bernardo em casa, ele está bem. Vai para o teu compromisso em paz – aconselhava Isolda, que atendendo a ligação procurava transmitir-lhe calma e ânimo para a tarefa que a aguardava.

Ao entrar no carro logo pensou: - Tenho somente esse tempo para condicionar a minha mente de forma mais adequada ao trabalho mediúnico. Espero conseguir, tem que dar certo!

Colocou a tocar uma música que lhe fazia bem à sensibilidade, desvestiu o blazer, trocou os scarpins de salto alto pela sapatilha confortável que sempre carregava consigo e atenta ao trânsito pesado daquela hora foi tratando o seu pensamento e emoções, como se já estivesse em tarefa de atendimento aos que sofrem.

Diante da impaciência dos motoristas que buzinavam, freneticamente, agitando mãos e braços, dizendo impropérios ia mentalmente fazendo uma prece simples, rogando a Deus estimulasse naquelas almas em turbulência, um pouco de tolerância.

– Como uma criatura vai ter concentração para o trabalho? Não creio ser possível – pensava sacudindo a cabeça – mas vamos lá, vou fazer o possível.

Ouviu o som da sirene da ambulância que pedia passagem e atentamente desviou o carro para um espaço de escape, enquanto mentalizava vibrações para o enfermo desconhecido, pedindo amparo a ele, seus assistentes, médicos, familiares, enfim.

– Imagina se os enfermeiros e motoristas dessa ambulância desistissem do socorro, devido ao caos do trânsito – considerou consigo, lembrando que o socorro espiritual aos que sofrem fora do corpo físico também tem que se dar em meio ao tumulto da vida hodierna.

Em um dos cruzamentos, passou por um acidente de atropelamento e visualizou a vítima estendida no chão: - Que os amigos espirituais protejam a todos, seja qual for a prova que essa alma esteja enfrentando e logo pensou:

– Essa é uma pausa que a vida impõe e não tem compromisso que persista ante uma situação de enfermidade ou diante da morte, e as vezes julgamos que somos nós a determinar o que é importante ou não, sem atentar para que somente Deus conhece o nosso caminho por inteiro – Um leve sorriso foi se desenhando no rosto e uma certeza se anunciando naquela alma necessitada de vencer a si mesma – Vai dar certo, vai dar certo – repetia, batendo suavemente a mão na direção do carro.

O percurso de quase uma hora passara, na percepção de Mara Rúbia, como se tivesse transcorrido em poucos minutos, e quando percebeu estava diante do Centro Espírita, estacionando o carro.

– Graças a Deus! – Murmurava consigo mesma, mais um dia que consigo chegar a tempo para a reunião mediúnica.

O Espírito amigo e instrutor, Carlos, que acompanhava, pelas telas sutis do pensamento, a movimentação dos integrantes da reunião a fim de provê-los com os estímulos necessários ao enfrentamento das dificuldades enfrentadas para o cumprimento da tarefa regozijava-se com a determinação e superação de Mara diante dos obstáculos comuns aos médiuns dos tempos atuais, onde o volume e complexidade das tarefas cotidianas, a normalização da “jornada infinita” e da consequente redução do tempo para a concentração são os desafios a serem atendidos, assim como as crises de outras naturezas e impedimentos múltiplos o foram em outras épocas.

Mara Rubia estava há quase um quinquênio em permanente esforço para conjugar o exercício da Advocacia, a maternidade de Bernardo e o trabalho voluntário no Centro Espírita. Tinha no currículo algumas desistências, sempre no campo do exercício da mediunidade. Custou a perceber que a saúde mental, o equilíbrio orgânico, a energia fisiopsíquica espiritual eram, sobejamente, ampliados quando exercitava o sublime ministério do intercâmbio, doando-se para o socorro de tantos companheiros mergulhados na dor.

E, naquela noite, lembrou-se de que completava, finalmente, dois anos de tarefa exercida com assiduidade. Ocupou o lugar na mesa de reuniões e começou a sentir os sintomas do Espírito em processo de sofrimento atroz que ela, na condição de enfermeira diligente e amorosa, estava prestes a ajudar.

Ao retornar para a sua casa beijou Bernardo, que dormia, placidamente, sob a vigilância de Isolda e o cuidado pela equipe espiritual de Dinah Rocha - esses anjos benfeitores que tomam conta dos lares dos trabalhadores devotados do Cristo - , quando servem sem tardar no socorro aos infortunados, colocando-se assim sob a proteção das ações nobres praticadas em benefício dos sofredores.

Após alimentar-se frugalmente e tomar um banho tépido e relaxante, adormeceu e durante o sono, Mara Rúbia revisitou, juntamente com a equipe espiritual do Centro Espírita e os encarnados que se mostraram dóceis ao afastamento do corpo, as ações empreendidas no dia e que se constituíram em pressuposto de disciplina e abnegação em benefício do cumprimento do dever assumido.

A cada quadro fluídico registrado e exibido para o pequeno grupo em continuidade de treinamento durante o sono, Carlos, o venerando amigo espiritual, emitia considerações, indicando os pontos vulneráveis de decisão a serem reforçados nas próximas escolhas, assim como assinalava as forças da alma movimentadas, naquele dia, com êxito, ante os desafios experimentados pelos valorosos trabalhadores do Cristo ali presentes.

O investimento dos dirigentes espirituais no amparo às decisões e convicções humanas são, por vezes, imperceptíveis, mas se revelam em cada sopro de ânimo, em cada dose minúscula de devotamento que alinhamos em nosso proceder.


Referencia:

[1] FRANCO, Divaldo Pereira. Espírito Manoel Philomeno de Miranda. Nos bastidores da Obsessão. Brasília: DF. FEB Editora. 6° Ed pag. 43. “Examinando a Obsessão.”

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