Livros Luminosos



“O sono liberta a alma parcialmente do corpo. Quando dorme, o homem se acha por algum tempo no estado em que fica permanentemente depois que morre. Tiveram sonos inteligentes os Espíritos que, desencarnando, logo se desligam da matéria. Esses Espíritos, quando dormem, vão para junto dos seres que lhes são superiores. Com estes viajam, conversam e se instruem. Trabalham mesmo em obras que se lhes deparam concluídas, quando volvem, morrendo na Terra, ao mundo espiritual. Ainda esta circunstância é de molde a vos ensinar que não deveis temer a morte, pois que todos os dias morreis, como disso um santo.”


O Livro dos Espíritos, questão 402

A madrugada estava quieta. Parecia um imenso anfiteatro cuja abóbada pontilhada de estrelas se derramava sobre a Terra, velando pelas criaturas em sua multiplicidade de afazeres.

A noite de lua nova acentuava com sua escuridão as cintilações longínquas de mundos já extintos que atestavam a grandeza do Criador.

Spinelli estava insone, escrevia de forma muito rápida, como se estivesse sob um impulso externa ao seu corpo e a sua mente. Acordara sob o ímpeto das imagens do sonho, que tivera nas poucas horas em que conseguira conciliar o sono e que buscava registrar no papel para que as cenas não se apagassem na sua lembrança.

Ele via-se caminhando, volitando sobre uma extensa campina, imersa nas sombras da noite, tal qual a visão que agora se descortinava ao seu olhar fixo na janela da sala onde sorvia as lufadas da brisa tépida do outono que chegava.

Andava como fosse atraído por poderoso imã no rumo do horizonte, quando começaram a cair do Alto, páginas de livros, muitas, milhares, inumeráveis, como as estrelas. Luminosas. Estas páginas antes de tocarem ao solo agrupavam-se formando belíssimos livros, cujas letras douradas poderiam ser vistas nas capas e lombadas.

Francisco, extasiado, contemplava aquelas imagens e podia perceber que mãos translúcidas apanhavam os compêndios e os conduziam na sua direção. Aos poucos, a campina foi se transformando em um amplo salão, com muitas estantes, mesas com milhares de obras literárias que se estendiam até o teto.

O leal trabalhador sentia que aquela sala ganhava vida, observava muitas pessoas percorrendo os seus espaços e corredores, consultando os livros, lendo-os e conversando sobre as lições ali contidas. Uma emoção intensa foi invadindo-o, enquanto contemplava aquele lugar tão especial e estava ainda sob aquele turbilhão de sentimentos, quando adentrou ao local uma veneranda figura que para ele se encaminhou. O brilho daquela alma projetou-se, mergulhando Francisco na sua ambiência, ao mesmo tempo em que uma voz repassada de bondade fez-se ouvir, falando ao coração do Peregrino.

- Filho, necessitas fazer com que as lições do Alto se espalhem pela Terra. As páginas de luz que vertem do Alto e dos corações servidores do bem para consolar os corações aflitos e esclarecer as mentes obnubiladas pela ignorância ainda não se constituem em labor essencial dos seareiros do nosso Mestre.

A Casa Mater do Espiritismo nesta Terra necessitará arregimentar forças para que as boas obras sejam alimento regenerador e se façam suficientes nos celeiros da Pátria do Evangelho, para nutrir e prover a humanidade.

Põe-te a caminho Francisco. Ajuda-nos a reunir os ensinos espalhados a mancheias pelos Benfeitores do Mundo.

Francisco Spinelli, o Peregrino, acabou de grafar as linhas que, lidas no dia seguinte, após retornar ao sono reparador, deram-lhe a lucidez para as ações que culminaram com a fundação no dia 18 de abril de 1954, da Livraria Espírita da FERGS e o embrião da Distribuidora e da expansão da Editora da Federação Espírita do Rio Grande do Sul.

O plantio do grande unificador aguardou em semente, encovado na terra fértil do Movimento Espírita, meio século para florescer, quando o primeiro livro – O Conte Mais 1 – foi editado finalmente.

Hoje vemos o Peregrino andando entre os livros alinhados no modesto estoque da obra que iniciou e, não raro, os olhos se tornam brilhantes como as cintilações das estrelas longínquas, naquela noite outonal, em que o seu anjo-guardião trouxe-lhe o convite, que aceito, deu início a uma trajetória cujo desígnio o tempo e o trabalho de muitas mãos concretizará.

As imagens daquele lugar imenso, o salão com as centenas de pessoas sendo beneficiadas pelos livros gravou-se-lhe na retina espiritual e a sua força transformadora plasmou nos arquivos sutis da espiritualidade o futuro da Editora da FERGS.

Ass: O secretário

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