Vestígios da Liderança Educadora de Allan Kardec



Vinícius Lima Lousada[1]


“(…) E o que de mais agradável me podeis oferecer é o espetáculo de uma união boa, franca e sólida.” - Allan Kardec[2]


Os artigos de Allan Kardec na Revista Espírita trazem consigo tesouros inestimáveis de reflexão e orientação ao trabalhador e ao líder espírita. Seus apontamentos e suas recomendações carregam a marca de uma alma sábia e com profunda identidade em relação aos ideais esposados.


Na Revista Espírita de setembro de 1862, o nobre mestre responde sensibilizado ao convite dos espíritas de Bordeaux e Lyon para que visitasse seus grupos e sociedades espíritas. A resposta em tela, dada por Kardec, é um testemunho do modo de liderança que ele exercia junto ao movimento espírita nascente.


Ele manifesta a sua alegria em acompanhar o crescimento da família espírita e identifica o desenvolvimento do movimento como a melhor resposta aos seus detratores, não deixando de recomendar o desprezo pelos ataques que se viesse a sofrer, direcionados à Doutrina. Esta calma também é oriunda da clareza de que o Espiritismo, estando na Natureza, não pode ser destruído. Esse desprezo para com os ataques, portanto, não é um convite à alienação, é simplesmente a proposição para colocá-los no devido lugar, sem dar-lhes centralidade ou o relevo que não merecem, vindo a paralisar ou monopolizar a atenção dos seareiros espíritas. Quanto menor importância dada às agressões, pelos trabalhadores honestos no bem, menos valor elas passam a ter.


Outro aspecto que gostaria de destacar da liderança educadora de Kardec está no seu modo de se comunicar com os companheiros de tarefa. Ele não deixa de alertar, de fazer recomendações a fim de orientar a rota, tanto quanto, jamais esquecia a palavra encorajadora. Aliás, com ele, a liderança tem traços de uma arte de encorajamento de pessoas em prol dos ideais mais elevados. Diz o mestre:


Continuai, pois, meus amigos, a grande obra de regeneração, iniciada sob tão felizes auspícios, e em breve colhereis os frutos da vossa perseverança. Provai, sobretudo pela união e pela prática do bem, que o Espiritismo é a garantia da paz e da concórdia entre os homens, e fazei que, em se vos vendo, se possa dizer que seria desejável que todos fossem espíritas.[3]


Aqui os espíritas são situados como cooperadores da construção da regeneração moral da humanidade através das contribuições do Espiritismo, certamente, a partir de sua própria transformação moral norteada pela caridade. Para Kardec, a caridade como norma de vida de relação é a garantia da paz nas paragens humanas, configurando-se, igualmente, em diretriz orientadora do trabalho de União e de Unificação da família espírita. Dizia ele:


Sinto-me feliz, meus amigos, por ver tantos grupos unidos no mesmo sentimento, marchando de comum acordo para o nobre objetivo a que nos propomos. Sendo tal objetivo exatamente o mesmo para todos, não poderia haver divisões; uma mesma bandeira deve guiar-vos e nela está escrito: Fora da caridade não há salvação. (...)[4]


A indicação, neste ponto, é que os grupos fossem unidos e marchassem em comum no mesmo objetivo, ou seja, juntos e com ações articuladas entre si, sem disputas, sectarismos, reunidos sob a mesma bandeira que o próprio Kardec materializou em sua vida: a caridade. Sem caridade não há iluminação espiritual dos indivíduos e nem paz em suas relações.

Ao final da resposta outra lição de Kardec. Ele se ocupa em solicitar aos irmãos de ideal que evitassem ofertar-lhe um banquete, demonstrando modéstia, temperança e bom senso para a aplicação de recursos financeiros, sugerindo que fossem utilizados em benefício dos mais sofridos da coletividade, em razão das circunstâncias econômicas desafiantes daquele momento, como se depreende do texto. Para o mestre, a melhor oferta de gratidão estava entre os espíritas lioneses e bordeleses gozarem, entre si, de uma união boa, franca e sólida.

Concluímos, assim, que Kardec apresenta, nesta resposta aos confrades, questões pertinentes ao exercício de uma liderança servidora e corajosa em nosso meio doutrinário, voltada à educação espiritual da coletividade, por sua vez, guiada pela caridade.



REFERÊNCIAS:

[1] Diretor da Área de Formação de Lideranças Espíritas - FERGS. [2] KARDEC, Allan. Resposta ao Convite dos Espíritas de Lyon e de Bordeaux. in: KARDEC, Allan. Revista Espírita: jornal de estudos psicológicos: Ano quinto -1862. trad. Evandro N. Bezerra. 2. ed. Rio de janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2004, p. 381.nn [3] Idem, p. [4] Revista Espírita

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