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Os jovens suicidas – Parte 2




“As consequências do suicídio são muito diversas. Não há penas fixadas e, em todos os casos, são sempre relativas às causas que o produziram. Há, porém, uma consequência à qual o suicida não pode escapar: o desapontamento. Ademais, a sorte não é a mesma para todos; depende das circunstâncias. Alguns expiam sua falta imediatamente, outros em nova existência, que será pior do que aquela cujo curso interromperam.”[1]




A última mensagem de Frederika foi tocante. Em uma das manhãs de reunião ela chegou, visivelmente, transformada, com uma atmosfera que irradiava determinação, embora ainda sofrida, pois os travos da expiação e suas dores só cessam com a reparação da falta.

Foi conversando com o grupo:

“Já estive aqui outras vezes, onde encontrei novos caminhos que diminuíram as minhas dores e que me fizeram aprender a emprestar um novo significado para a vida que eu tentei colocar fim, sem saber que a vida não tem fim.

Como lembram, eu sentia muita tristeza nas primeiras vezes que vim aqui, muita culpa, porque o nosso egoísmo é tão grande, quando cometemos o suicídio, que sequer paramos para pensar na dor que vamos causar aos que ficam sem compreender o que houve e que precisam continuar a vida, mesmo sem a nossa presença - é o caso da minha mãezinha.

A vida é tão diferente daquilo que pensamos e do que dela entendemos. Minha culpa e o remorso que sinto, também são porque não foi a minha vida apenas que comprometi, mas frustrei uma oportunidade de vida - a do filho que trazia comigo.

Com o passar do tempo, assistindo aqui nesses jardins do hospital espírita, os encontros que falam das histórias que Jesus contava, lembro especialmente do dia em que uma delas falava do quanto ele respeita e ama o Pai de todos nós e o quanto o Pai nos ama. Nesse dia algo se transformou no meu coração e foi quando aquela moça linda, a Anita,[2] se aproximou de mim e disse o quão importante é que as crianças ouçam falar de Jesus desde os primeiros momentos de retorno a Terra; que as mães e pais se preparem para contar as histórias de Jesus para seus filhos. Ela, então, me convidou para participar de uma grande ação que foi estabelecida na espiritualidade, a partir das histórias do Programa Conte Mais. Desde aquele dia eu comecei a andar junto com essas contadoras, pelas escolas, pelos eventos, nas manhãs e nas tardes na Federação do Rio Grande do Sul, ouvindo as histórias que fazem parte da preparação de Espíritos que se suicidaram na infância e na adolescência e que estão prestes a mergulhar na carne. Um dos pontos importantes das ações pré-reencarnatórias desses Espíritos faltosos é ouvir na espiritualidade muitas histórias do Conte Mais.

Vocês se lembram das vezes em que eu vinha aqui e pedia para ouvir a música que fala da Gratidão a Deus? Embora eu continue gostando da música que a senhora[3] cantava e que me atraiu para cá, hoje tem uma que eu gosto muito mais, que fala de alegrias e de esperanças, também: é a música do Conte Mais.

E ela cantou, utilizando a psicofonia de Isabel:


Conte Mais, conte histórias pra mim.

Conte mais, eu quero é ser feliz

Conte mais, eu quero ouvir nesse momento

Histórias que falam de amor e se sentimento.[4]


Ainda não consegui trazer para acompanhar as contadoras e ouvir as histórias, nem o Valtinho, nem a Nina. Por vezes nos encontramos. Eles parecem que estão transformando pouco a pouco a sua rebeldia e a sua forma de pensar, mas depois eles somem de novo. Penso que não estão preparados para essa mudança.

Eu estou me preparando e durante a noite, na Terra, quando as crianças dormem, muitos trabalhadores da espiritualidade têm ficado ao lado dos seus bercinhos, das suas caminhas, contando histórias de amor e de sentimento. É muito lindo quando chegamos em alguns lares e observamos os pais sentados na beira da cama dos seus filhos, contando as histórias que falam de amor e de sentimentos. Isso cria, na alma das crianças, uma resistência, principalmente naquelas que trazem na sua história a desistência da vida, por ignorância, por rebeldia, por vícios que as enfermaram. Então, aprender a contar histórias é algo de muito significado para os que como eu sofrem, e sofrem muito por haverem afrontado a lei divina.

Quero deixar-lhes a gratidão da Rica, Frederika. É a primeira vez que consigo pronunciar o meu apelido. Não conseguia dizê-lo, pois ele lembra algo que não tenho. Mas hoje já consigo.

Narrativa autorizada pelo Espírito Carlos.


Referências: [1] Kardec, Allan. O livro dos espíritos (p. 497). FEB Publisher. Edição do Kindle. [2] Anita Zimerman - Já tivemos informações da espiritualidade que ela coordena a equipe espiritual que inspira! “Os continhos de Jesus”, ação realizada nos Hospital Espírita de Porto Alegre. Anita foi evangelizadora e colaboradora da Fergs na área da Evangelização. [3] Referindo-se à médium. [4] Música de Dani Ângelo Medina – Grupo Evangelizar é Amar

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