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Comunicação Social e Inclusão




Sonia Hoffmann

 

A temática abrangendo inclusão vem aos poucos recebendo, mesmo que timidamente, algum interesse e receptividade pelos diversos veículos de comunicação social. Entretanto, as informações, na maioria das ocasiões, são pontuais, marcando datas e episódios relevantes e recebem certo espaço ainda reduzido para o registro de notícias sobre festivais, competições ou programações abordando habilidades e competências apresentadas por pessoas com deficiência e demais diferenças. Acontecimentos com alguma estratégia de acessibilidade associada são proporcionalmente escassos em relação aos divulgados na mídia para a diversão, entretenimento e esclarecimento do grande público nos variados aspectos.

 Também é perceptível o quanto recursos como interpretação Libras ou audiodescrição assumem um papel secundário na difusão de um evento, mesmo no espaço do movimento Espírita. Congressos, simpósios ou jornadas insuficientemente ou simplesmente não veiculam assuntos fundamentados na perspectiva inclusiva, relegando muitas vezes estes tópicos para os minutos finais ou para ambientes de pouca circulação. Raras são as instituições jornalísticas ou federativas a darem a devida atenção e tratamento às ações includentes, embora legislativamente seja apontada a relevância inclusiva na sociedade e o direito de cidadania destas pessoas.

As variadas expressões artísticas ocupam-se minimamente com conteúdos relacionados a peculiaridades includentes e, quando o fazem, é algo impactante e comovente ou, então relacionando deficiências e diferenças ao negativo, ao mal, à transgressão, à clandestinidade, ao sofrimento. O caráter de naturalidade e singularidade componente da diferença entre todos é mais poético e teórico do que prático, funcional e lógico - ainda mais em nosso estágio evolutivo espiritual, como habitantes de um mundo de provas e expiações.

Talvez este comportamento seja explicável, mas não aceitável, pelas elucidações trazidas por Joanna de Ângelis (2014) ao pontuar ser "normal que ocorram algumas fugas psicológicas no dia a dia da existência humana, em forma de recurso neutralizador do excessivo volume de informações que bombardeiam o indivíduo, através dos diversos veículos de comunicação de massa, das conversações raramente edificantes, das convivências enfermiças. [...] Na época da robotização, o ser humano sente-se relegado a um plano secundário, deixando-se conduzir por botões mecânicos inteligentes que, em alguns casos, substituem-no com eficiência, sem esforço, nem gratificação. [...] O excesso de tempo, resultado da máquina que o ajuda nas atividades habituais, faculta-lhe a corrida para a comunicação virtual, as intermináveis horas de buscas na Internet, os encontros românticos de personalidades neuróticas e medrosas, estabelecendo perspectivas mais angustiosas, por se tratar de pessoas frustradas e inseguras, refugiadas em frente da tela do computador, procurando a ilusão de seres ideais, incorruptíveis, maravilhosos. [...] Passada, porém, a fase de deslumbramento, iniciando-se a convivência, logo se constata o equívoco, e a imaginação arquiteta novas fugas da realidade para a fantasia das denominadas histórias de quadrinhos".

Desse modo, como sugere Joanna de Ângelis (2014), avançamos para um sentimento perturbador apresentando-se como um vazio coletivo no âmbito social com tentativas ineficazes para seu preenchimento; tal vazio, porém, não traduz ausência de significados internos, de valores adormecidos ou ignorados, mas, isto sim, a incapacidade momentânea de alguém trabalhar e lidar com dificuldades, desafios, obstáculos.

As inserções inclusivas precisam urgentemente assumir a devida posição de destaque sadio nos veículos comunicativos, para consagrar uma nova proposta de ordem social regeneradora pelo esclarecimento e abastecimento de cada um para a mais plena qualificação possível do ser como instrumento ecoconstrutor de uma sociedade mais justa, solidária e com a bandeira da fraternização ultrapassando barreiras e fronteiras interativas.

O necessário progresso atitudinal precisa ocupar os mecanismos e dispositivos de comunicação, tornando-se ao mesmo tempo causa quanto consequência do êxito reencarnatório. O melhoramento intelectual e moral será, deste modo, alcançado pelo valoroso surgimento de uma nova maneira de responsabilidade social com as diferenças e com as deficiências.

A sociedade necessita se organizar e agilizar o processo de inclusão em detrimento da exclusão, pautando possibilidades. A própria instituição espírita tem de buscar estratégias efetivas de aproximação e de pertencimento, evitando entraves, controvérsias e inflexibilidades, modelos engessados e rígidos. Não basta acolher, mas é fundamental viabilizar condições de permanência, de coparticipação e dar voz às diferenças para elas se expressarem, construírem em conjunto um tempo de humanização.

A comunicação é importante ferramenta no auxílio de compreender os processos e movimentos sociais. Quando aplicada aos projetos socioambientais, ela deve ir além da disseminação de informações e notícias superficiais, mas igualmente apresentar diferentes panoramas e estabelecer contato entre todos os envolvidos (com as suas diferenças e deficiências), facilitando a participação da comunidade e construindo um relacionamento amistoso, equitativo e sólido.

Para tornar a comunicação inclusiva, é aconselhável o uso de linguagem simples, objetiva, assertiva e acessível; Informações e reflexões emitidas em frases curtas, estrutura na ordem direta e com palavras conhecidas, usadas no cotidiano e sem rebuscamentos são extremamente recomendáveis para deixar a comunicação fluida e interessante. Estes cuidados contemplam diferentes públicos e aquele com baixo letramento, pessoas de diferentes gerações e imigrantes compreendem com mais facilidade a informação. A adoção de jargões característicos de uma área específica, de termos técnicos e siglas pouco conhecidas podem dificultar a compreensão, interpretação, decodificação e mesmo deixar enfadonho para quem está ouvindo ou presenciando a transmissão da informação.

Relativamente às Acessibilidades a pessoas com deficiência, além da Língua Brasileira de Sinais e a audiodescrição mais frequentemente utilizadas, é importante perceber que nem sempre pessoas surdas utilizam a Libras. Neste caso e atendendo também pessoas com outras deficiências (visual ou cognitiva, por exemplo), sempre que possível recomenda-se o uso de recursos tecnológicos facilitadores do acesso destes públicos à informação. Então, é sempre conveniente fazer consultas às possibilidades apresentadas pela Tecnologia Assistiva. O uso de legendas em vídeos e de descrições das imagens em fotografias, cartazes e plataformas digitais são alguns dos recursos habitualmente recomendados para promoção da acessibilidade (prevista na legislação e representa um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável).

Bem administrada e aplicada, a comunicação social contribui eficazmente para a aproximação, realinhamento e desenvolvimento da população e a sua intermediação entre esta população e as obras progressistas, a redução de estigmas, discriminações e preconceitos, promovendo o vínculo e o diálogo como forma estratégica de resolução de problemas e dificuldades. Igualmente, possibilita a criação da consciência e da cultura inclusiva, contemplando identidades dos mais variados matizes em uma matriz harmoniosa de respeito, consideração e igualdade de direitos ao viver e conviver em sociedade, com as suas particularidades e demandas.

 

Referências:

ÂNGELIS, Joanna de (Espírito). Conflitos existenciais. Psicografado por Divaldo P. Franco. 6. ed. Salvador: Centro Espírita Caminho da Redenção, 2014. (Série Psicológica Joanna de Ângelis v. 13).

POLÍTICA de comunicação do IFSC – 2022: comunicação inclusiva. Disponível em: https://www.ifsc.edu.br/polcom-comunicacao-inclusiva. Acesso em: 19 out. 2023.


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