Histórias da Pandemia – O socorro sempre chega – Parte II



Marcelino percebia que estava a absorver vibrações nocivas e densas, porém não conseguia se concentrar nem mesmo para a oração. Mesmo que muitas vezes orasse de forma maquinal, doutras conseguia usufruir de bem-estar e conectar-se com o seu anjo guardião, donde a necessidade de mudança soava como um alerta nos escaninhos da sua consciência. O Espírito chefe da sofredora grei, prosseguia recolhendo miasmas expelidos pelos infelizes escravos da sua mente astuta, e com eles compunha dardos que se assemelhavam à lagartas microscópicas incandescentes, arrojadas incessantemente contra aquele alvo humano que as absorvia em razão da vibração enfermiça.

O amorável irmão Carlos, em ronda noturna com sua equipe, direcionou ao centro coronário do servidor em agonia, significativo influxo de elementos para assepsia das larvas mentais que se implantavam em profusão ao longo da coluna vertebral, se espalhando pela região genésica, que era o ponto de inflexão, escolhido pelos obsessores, por se tratar da região mais frágil de Marcelino. O tormento sexual se ampliava levando-o ao desatino.

Com o distanciamento social a relação com a amante sofrera uma interrupção, porquanto teve ela de se isolar para os cuidados com a mãe e o pai idosos, cessando assim os idílios às escondidas.

A imprudência e o descontrole de Marcelino, que também nutria o vício da ingestão social de alcoólicos, se ampliaram levando-o à insistência e até a fazer ameaças à parceira para que retomassem os encontros. Os adversários espirituais acicatavam os dois adúlteros, que eram comparsas de crimes de longa data, para que se comprometessem, se encontrassem, e contaminassem suas famílias, assim o escândalo teria o desfecho que esperavam, caindo sobre a instituição por ele presidida.

Ele era uma dessas almas que renascem com extremado conflito consciencial, porquanto encaminhado à reencarnação compulsoriamente em razão da rebeldia extrema em acolher as propostas dos programadores espirituais para a reparação das faltas pregressas. Feiticeiro medieval de grandes poderes a serviço das trevas foi também alvo da inquisição em Portugal, desenvolvendo um ódio ferrenho aos cristãos e ao Cristianismo.

No entanto, a presença de Areta, ainda na espiritualidade, produziu-lhe reflexões e dúvidas benéficas, amainando o ódio ao Jesus que lhe fora apresentado pelos inquisidores. Areta fora sua pupila nas artes da feitiçaria, mas logo percebendo o desvio das intenções do mestre abandonou as práticas perversas e adotou o Cristianismo como sua crença. Dado aos liames espirituais que os unia desde outras vidas, Marcelino sempre aceitava muito bem a sua presença que lhe conferia grande bem-estar. Mesmo no calabouço da Inquisição fora ela que o confortou nas horas derradeiras.

Contudo, Marcelino na erraticidade submeteu-se à doutrinação da mente do chamado Carrasco dos Inquisidores – Leodiceu, o Espírito que chefiava uma falange devotada ao enfraquecimento e à derrota dos verdadeiros cristãos.

Quando reencontrou Areta nesta encarnação, foi aproximado dela pelos infelizes interessados na perseguição do grupo que fundou o Centro Espírita X. Desde a juventude, foi se infiltrando no grupo, acreditando-se junto às lideranças com sua verve cativante e a disponibilidade para o trabalho. Porém, o embate entre a sombra e a luz foi se travando e esculpindo, de alguma forma, a trajetória daquela alma. Mesmo com as ações indignas que protagonizava, ditadas pelo mentor das trevas, Marcelino se aliou às ações beneméritas da instituição que cresceu muito, suscitando o ódio dos comparsas que ora se voltavam em fúria contra ele e contra os demais servidores daquela Casa, estruturando o ardil para o descrédito e o escândalo.

- Marcelino, Marcelino! Onde estás, sentes alguma coisa?

- Não sinto nada, Areta! Apenas estou sem sono. E mentindo, arrematava.

- Estou preocupado com as famílias que atendemos, diminuíram as doações. Não podemos fazer os almoços e cafés coletivos.

Areta, esposa de Marcelino, era uma pessoa cristã na verdadeira acepção do termo. Egressa da Evangelização da Infância e da Juventude Espíritas, eis que filha dos fundadores da instituição, os quais desencarnaram em um acidente de carro quando ela era ainda muito jovem. Casou-se cedo cumprindo assim o compromisso assumido para renascer, reencontrar e auxiliar Marcelino na sua trajetória. Amava-o, profundamente! Sabia de suas muitas transgressões morais. Orava em silêncio por ele, pelos seus dois filhos e se devotara a proteger o seu lar dentro dos ditames que esposara na vivência do Espiritismo. Por vezes sentia que tinha pelo marido um afeto quase maternal. Sua atitude era a salvaguarda daquele clã. Era uma mulher forte, profissionalmente realizada no exercício do sacerdócio da Medicina, na área da Cardiologia e uma gestora eficiente no Centro Espírita, administrando as muitas atividades que eram desenvolvidas em benefício dos milhares de frequentadores. Tinha ascendência moral sobre o próprio marido, que venal, no entanto, não se opunha às deliberações e sugestões que ela sempre trazia para a administração e demais projetos da instituição.

O Benfeitor amigo, Carlos, despertou-a para que a sua presença auxiliasse no afastamento dos perturbadores que se acotovelavam em torno do paciente. Efetivamente, quando se iniciou o diálogo entre os cônjuges, foi como se uma lufada de ar varresse o ambiente e a corja se diluiu numa algazarra ensurdecedora.

- Tenho notado a sua aflição e a insônia recorrente! Vou solicitar alguns exames amanhã.

- Não se preocupe Areta, apenas estou com enfado dessa clausura que estamos vivendo. Com as atividades da nossa casa suspensas, não sei o quê fazer.

- Sabemos, sim, meu amor! Este é um momento em que precisamos buscar novas formas de continuar estudando e vivendo a mensagem de Jesus.

- Não vejo como, pois nossos frequentadores são pessoas muito simples, na sua maioria. As demais são idosos que não estão afeitos à tecnologia digital.

- Marcelino! Lembra do projeto de inclusão digital que Sarita fez para inscrição naquele edital em que inscrevemos o Centro? Pois então, saiu! Vamos poder adquirir vários computadores e vamos treinar as pessoas. Desmobilizaremos o pavilhão onde distribuíamos a sopa, pois não podemos mais juntar as pessoas para o almoço e vamos entregar alimentos “in natura”. Já medimos e vi que podemos colocar 10 máquinas com distância adequada e o pavilhão é aberto e ventilado.

- Vamos agendar seis pessoas por vez e ensiná-los a utilizar a internet. Depois vamos cuidar para que nenhum dos nossos frequentadores fique sem participar dos estudos.

Areta ia falando dos planos, e eram muitos, para continuar beneficiando a grande comunidade que se nutria daquele pouso abençoado do Evangelho, a despeito das atitudes condenáveis do seu Presidente.

Marcelino nem ouvia o que Areta falava, sua mente estava distante, engendrando uma forma de burlar o isolamento e dar trânsito à infidelidade conjugal. Já andara contatando com outras criaturas dissolutas como ele, pois se a amante de tantos anos não se disponibilizava ao conúbio criminoso ele encontraria quem o fizesse. Ah, se encontraria!

O querido benfeitor Carlos percebia que as emanações oriundas dos nobres propósitos de Areta inundavam o ambiente espiritual do lar, formando um escudo para ela, para Sarita - a filha - e para o filho, Mário César, que dormiam placidamente, porém, a sintonia de Marcelino com os cobradores invisíveis permanecia, sendo denotada pelos fios enegrecidos que se projetavam da sua cabeça e dos demais centros de força.

Areta percebia a expressão e a postura distante do companheiro e ficou ali por algum tempo sentindo que de si se desprendia significativa força fluídica que era direcionada pela equipe do Irmão Carlos ao atormentado chefe da família.

A bondade de Deus é incalculável. A luta para trazer Marcelino ao reto caminho se desdobrava há décadas. O mérito em decorrência das ações de benemerência aos vulneráveis advogava por ele, concedendo-lhe sucessivas moratórias para que lograsse arrepender-se e expiar os seus erros.

Oscar juntou-se ao Irmão Carlos e ambos observaram que o homem começava a ceder ao sono induzido pelos fluidos aplicados.

- Não aprofundemos o sono para que ele não seja cooptado pelo bando que o aguarda, falou aos atendentes em ação.

- Oscar, está difícil a situação. Precisamos salvar o Centro, pois há iminente perigo, dado o estado de descontrole do nosso tutelado.


Espírito – Oscar J. Pithan

Maria Elisabeth Barbieri


Observação: Caro leitor, na continuidade os amigos espirituais desdobram seu plano de proteção ao Centro Espírita X. Uma ação do Cristo na salvaguarda da sua Messe.

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