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Artigo inclusivo na Revista Espírita




Sonia Hoffmann


O processo de inclusão é entendido por muitas pessoas como destinado a alguém com deficiência, quem se encontra permanentemente em condição motora, sensorial ou intelectual com restrições. Contudo, a ação includente envolve também toda e qualquer pessoa com alguma diferença, precisando tanto quanto de atenção conforme suas necessidades e de estratégias interativas específicas às suas peculiaridades. Quem apresenta precocidade intelectual, por exemplo, é por esta razão, igualmente envolvido pela inclusão.

Diversas contribuições acerca de esclarecimentos e observações sobre aspectos inclusivos podem ser encontradas nos 144 fascículos da Revista Espírita, sendo feita referência inclusiva, entre tantas, um artigo narrando a presença de precocidade em uma criança.

Eugénie Colombe, menina habitante de Toulon (França), com dois anos e onze meses já sabia ler e escrever perfeitamente, sustentando exames sobre os princípios da religião cristã, gramática francesa, geografia, história da França e as quatro operações de aritmética. Ela Conhecia com clareza a rosa dos ventos e, com naturalidade, mantinha discussão científica sobre todos esses assuntos, respondendo e mantendo a conversação sem hesitações.

A menina começou a falar bem distintamente com quatro meses de idade. Seu desenvolvimento físico estava totalmente compatível com sua idade, assim como suas brincadeiras nos momentos de lazer.

Kardec menciona que estes casos de precocidade intelectual e conhecimentos inatos podem ser explicados pela pluralidade das existências, sendo a solução racional encontrada na aquisição dos conhecimentos em existência anterior. A memória, certamente parece desempenhar um papel importante, pois, como ele inicialmente refletiu, a mãe de Eugénie atuava como professora e a menina poderia ter retido as lições dadas aos alunos já que ela acompanhava à escola materna. Mas, em sequência, Kardec pondera sobre o motivo pelo qual os próprios alunos não apresentarem o mesmo comportamento e esta facilidade excepcional para assimilar o que a menina ouvia. A reflexão feita foi a de talvez o fato dela escutar as instruções apenas lhe despertava a lembrança do que já sabia de modo inato.

Ele também comenta que não se deve concluir disto que as crianças capazes de aprenderem somente à custa de esforço e trabalho foram ignorantes ou estúpidas em sua precedente existência, mas simplesmente que a faculdade de se recordar é uma aptidão inerente ao estado psicológico ou ao mais fácil desprendimento da alma em certas pessoas do que em outras: é uma espécie de visão espiritual, lhes lembrando o passado, enquanto as que não a possuem, esse passado não deixa nenhum traço aparente. A lembrança acontece com maior ou menor exatidão e, frequentemente, esta lembrança é totalmente perdida.

Um correspondente da revista informa ter visitado a família, sem preparação ou antecipação das perguntas e dos temas, declarando ser a menina de notável beleza e vivacidade, com doçura angelical. "Sentada nos joelhos de sua mãe, respondeu a mais de cinquenta perguntas sobre o Evangelho. Interrogada sobre Geografia, designou-me todas as capitais da Europa e de diversos estados da América; todas as capitais dos Departamentos franceses e da Argélia; explicou-me o sistema decimal, o sistema métrico. Em gramática, os verbos, os particípios e os adjetivos. Ela conhece, ou pelo menos define, as quatro operações. Escreveu o que lhe ditei com tal rapidez que fui levado a crer que escrevia mediunicamente. Na quinta linha interrompeu a escrita, olhou-me fixamente com seus grandes olhos azuis e me disse bruscamente: 'Senhor, é bastante.' Depois desceu da cadeira e correu aos seus brinquedos. Esta criança é certamente um Espírito muito avançado, porque se vê que responde e cita sem o menor esforço de memória. Sua mãe me disse que desde a idade de 12 a 15 meses ela sonha à noite, mas numa linguagem que não permite compreendê-la. É caridosa por instinto; atrai sempre a atenção da mãe, quando avista um pobre; não suporta que batam nos cães, nos gatos, nem em qualquer animal." (KARDEC, 1867, p.78)

Portanto, a precocidade intelectual não é algo sobrenatural e tem explicações lógicas na perspectiva espírita. Necessário é lidar com este acontecimento com naturalidade, evitando situações de exposição para a criança não se sentir agredida ou sinta-se um ser especial, desenvolvendo muitas vezes um comportamento encabulado ou mesmo supervalorizar-se. Entretanto, atitude de indiferença às suas potencialidades e possíveis necessidades também não devem ser adotadas, pois pode acontecer da criança sentir-se desmotivada ou desestimulada para a aquisição de outras aptidões.


Referência

KARDEC, Allan. Eugénie Colombe, precocidade fenomenal. Revista Espírita. v. 10, n. 2, p. 75-79, fev. 1867.

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