A Bienal


O espaço destinado à exposição das obras literárias, publicadas pela Federação Espírita Brasileira, estava apinhado de pessoas interessadas nos livros postos à disposição do público do grande evento da Bienal, realizado na Cidade Maravilhosa.

A visão espiritual daquele momento era percebida por poucos dos que, envolvidos com o atendimento e a organização da grande feira, fixavam-se apenas nos aspectos materiais da atividade, sem surpreender as nuances mais profundas daquele momento singular.

Os livros emitiam luminosidade intensa nos mais variados matizes, envolvendo aqueles que se aproximavam das gôndolas onde estavam dispostos. Cada vez que eram tomados nas mãos por algum visitante e suas páginas eram folheadas, desprendiam vibrações que impregnavam o ambiente e saturavam as energias vitais daquele que as consultavam.

No pequeno espaço de contação de histórias, as palavras que traduziam os contos soavam na acústica espiritual dos ouvintes quais cânticos a se refletirem nas almas infantis ali presentes, acalmando-as e plasmando nas mentes férteis imagens que, na sequência dos dias, serão trabalhados pelos anjos guardiães compromissados com aquelas trajetórias, facultando o fortalecimento dos propósitos vivenciais de cada criança.

O pequeno grupo deteve-se a poucos passos do ambiente, observando-o atentamente.

- Eis o grande e eficaz medicamento para as dores humanas, meu amigo Spinelli. E hoje sem restrições, perseguições, livre das fogueiras, sorriu Nestor, falando com a voz embargada.

Spinelli adiantou-se e posicionando-se onde as obras fundamentais da Doutrina Espírita estavam à mostra voltou-se para Guillon, que se entretinha no esforço de sensibilizar um determinado trabalhador encarnado, a fim de compartilhar sugestões e ideias sobre o livro.

- Guillon, nossos irmãos precisam resgatar o verdadeiro sentido destas páginas. Quando vemos os espíritas afirmando que o Pentateuco é de difícil leitura, emerge a necessidade imperiosa de lembrarmos-lhes que estas obras salvam vidas e que, portanto, devem merecer na Terra uma divulgação maiúscula que soerga as forças da alma.

- Há brilhos falsos ofuscando a verdade, meu amigo Spinelli, e isso tem se dado pela própria inércia dos espíritas.

Lins de Vasconcelos, que acabara de fazer um giro pelo estande, em minuciosa apreciação, indaga:

- Onde estão as lideranças espíritas? Esta é uma grande ocasião de apresentar o livro espírita ao mundo, mas vê-se que ainda não se despertou em nosso meio, para ofertar essa medicação em larga escala.

Nestor Masotti, com sua costumeira assertividade, não disfarçou uma lágrima furtiva que aparou com o dorso da mão, enquanto dizia:

- É, meu irmão Lins, no mundo o peso da carne nos faz avaliar com certo equívoco, por vezes, as prioridades. Empregamos largo tempo combatendo efeitos do materialismo e relegamos, a segundo plano, a erradicação das causas desse mal.

Spinelli, nesse instante, estava absorto na contemplação do lugar onde os seareiros da FERGS demonstravam as obras editadas na federativa sulina. Seus olhos brilhavam e sua fisionomia estampava todo o júbilo e gratidão de uma alma devotada ao serviço do Cristo. Pela sua mente espiritual passavam cenas transcorridas num dia longínquo, em que na sede da FERGS recebera uma máquina, que iria produzir os exemplares do boletim A Reencarnação e algumas mensagens para distribuição. Aos poucos os voluntários aprenderam a manejá-la e assim iniciara a gráfica da FERGS e a sua Editora. Seria por pouco tempo, mas a semente estava posta em solo fértil. Sabia ele que transcorreriam muitos anos até que aquelas pílulas redentoras, que são os livros espíritas, pudessem ser produzidos.

Agora, pensava o peregrino, embevecido olhando os títulos que se espalhavam pelo móvel expositor, fora mais rápido, muito mais rápido, somente cinco décadas - e isso significa segundos para a espiritualidade - ali estava a semente germinada que juntamente com outros abnegados cultivadores do bem, plantaram no passado.

Praeiro, que estava em estado de felicidade plena, abraçado à colaboradora que arrumava graciosamente as pilhas de livros da FEMT, disse apenas:

- Esses meninos são bons!

O barulho ensurdecedor, causado pelo grande público presente à bienal, dava mostras do quanto as criaturas precisas silenciar as angústias, ansiedades e futilidades para fruir das verdadeiras benesses que a providência Divina dispensa a todos os seus filhos.

Reunidos no centro do estande da Casa de Ismael, aquele grupo de almas de escol erguem as mãos ao Alto e uma prece inundou de luz e bem-estar os grandes pavilhões, que se transformaram em uma edificação única e luminescente na visão espiritual.

Poucos dos transeuntes perceberam, mas foi em uma fração de segundos, em que todos os sons silenciaram e uma brisa cálida invadiu os corações.

Jesus com seu séquito de entidades nobres visitara a Bienal. Imperceptível presença aos sentidos físicos, mas vigorosa no terreno dos sentimentos.

Os caravaneiros despedindo-se das equipes espirituais que permanecem velando pelo trabalho do livro naquele grandioso evento, foram se distanciando para prosseguirem na tarefa emergencial, recebida do Alto, qual seja a de auscultar e estimular os líderes do Espiritismo na Terra a promoverem os investimentos impostergáveis na divulgação da abençoada Doutrina através do livro.

Humberto de Campos.

HEPA 06 de setembro de 2017.

Grupo Yvone Pereira

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