Semeando Espinhos


Toda vez que experimentardes disposições antifraternais em seu círculo, isso significa que preponderam em vossa organização psíquica as recordações prejudiciais, tendentes ao estacionamento na marcha evolutiva. É aí que surge o esforço da autoeducação, porquanto toda criatura necessita resolver o problema da renovação de seus próprios valores. O Consolador - Emmanuel – F.C.Xavier – Questão 184.

Aquela era uma alcova proibida. O escasso senso moral, a sensualidade e a cegueira produzidas pela paixão sem freios não eram suficientes para obscurecer, o bastante, a noção de que cometia um crime.

Mas, também, não lutava muito para vencer o arrastamento que a tomava a cada vez que ele vinha. O belo e insinuante oficial dos hussardos deixava-a sem fôlego e inebriava-lhe a razão.

Distante dele era fácil fazer votos de fidelidade ao homem bom que a tomara por esposa. O maduro general hussardo, condecorado pelo Imperador em tantas campanhas patrióticas a livrara da orfandade e dos abusos da soldadesca, quando tivera sua casa destruída, os seus pais e irmãos mortos e ali ficara apavorada contemplando a pilhagem e o saque. Lembrava daquele homem que a encontrara quase desfalecida em meio a um monte de feno que escapara ao fogo, no saque à aldeia onde nascera. Fechou os olhos e aguardou pelo pior. Sentiu que ele a erguia nos braços e a colocava sobre a sua montaria, partindo.

No acampamento aguardara, dia após dia, o instante em que seria violentada e entregue à diversão dos soldados como assistira acontecer com outras aldeãs. Mas os dias se passaram diferentemente do que prenunciara. Ninguém a molestara e ela retornara do campo de batalhas sob a proteção do seu salvador.

Imaginou que ele a levaria para ser sua criada. Era bem mais velho do que ela, tinha um temperamento reservado, o que a levou a pensar que algumas vezes poderia toma-la para saciar seus desejos. Enganou-se mais uma vez. Acolheu-a como se o fizesse a um ser muito estimado, demonstrando ter para com ela sentimentos de carinho e afeto que a desconcertaram, porquanto via nele o inimigo que destruíra seu povo e sua família.

Os anos passaram e ele a desposou, concedendo-lhe os seus títulos, suas propriedades, seus cuidados e o seu amor, que não sabia demonstrar com muita profusão, mas que se revelava nos cuidados que lhe destinava. Cobrira-a de jóias, servas, viagens e festas. Mas, no íntimo, nas fímbrias do seu coração, não o perdoara. Sentia-se agredida, comprada, de certa forma molestada em sua sensibilidade. Por isso quando aquele moço chegou, com sua juventude esfuziante, com a palavra fácil e uma forma escaldante de revelar sentimentos, disposto a arrastá-la à traição, sentiu que era o momento da vingança.

Inteligências que traçaram entre si a realização de empresas afetivas ainda no Mundo Espiritual, criaturas que já partilharam experiências no campo sexual em estâncias passadas, corações que se acumpliciaram em delinquência passional, noutras eras, ou almas inesperadamente harmonizadas na complementação magnética, diariamente compartilham as emoções de semelhantes encontros, em todos os lugares da Terra. Positivada a simpatia mútua, é chegado o momento do raciocínio. Vida e Sexo - Emmanuel – Francisco C. Xavier - Cap 3.

Viveu severo conflito. Não desejava arrastar-se na desonra, tornar-se uma mulher vulgar, mas queria de alguma forma revidar o sofrimento imposto ao seu povo. O encantamento propiciado pelo sedutor auxiliou. Não resistiu mais e abriu-lhe, clandestinamente, as portas do coração e da alcova para os encontros furtivos.

continua...

O texto acima é parte de uma história cujos capítulos serão publicados, nesta coluna, todas as sextas-feiras.

#bethbarbieri

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